
Uma complicação séria, mas que tem solução
A artroplastia total do quadril é uma das cirurgias mais bem-sucedidas da ortopedia moderna. Em uma pequena parcela dos pacientes, pode ocorrer uma complicação importante: a infecção ao redor da prótese. Com diagnóstico adequado, planejamento e tratamento especializado, é possível controlar a infecção e reconstruir o quadril, recuperando a função e a qualidade de vida.
O que é a infecção da prótese do quadril?
A infecção periprotética ocorre quando bactérias atingem os tecidos ao redor da prótese e podem aderir à sua superfície, formando um biofilme. Isso dificulta a ação dos antibióticos e torna o tratamento mais complexo, especialmente nas infecções crônicas.
Principais sintomas
- Dor no quadril operado
- Dificuldade para caminhar
- Piora da função da prótese
- Vermelhidão, calor ou secreção na região da cirurgia
- Febre (em alguns casos)
Nem toda dor após uma prótese significa infecção. É fundamental uma avaliação médica especializada.
Como é feito o diagnóstico?
- História clínica e exame físico
- Exames de sangue (marcadores inflamatórios)
- Exames de imagem (radiografias, tomografia, cintilografia, quando necessário)
- Punção do quadril para análise do líquido articular e culturas
- Múltiplas amostras coletadas durante a cirurgia
Identificar o microrganismo, sempre que possível, ajuda a planejar o tratamento e escolher o antibiótico mais adequado.
Por que apenas antibióticos podem não ser suficientes?
As bactérias que formam o biofilme ficam mais protegidas da ação do sistema imunológico e dos antibióticos. Por isso, especialmente nas infecções crônicas, o tratamento frequentemente precisa combinar cirurgia e antibioticoterapia, com retirada dos componentes infectados.
O objetivo do tratamento é controlar a infecção e reconstruir um quadril funcional.
Existem diferentes estratégias de tratamento
Historicamente, o tratamento em dois tempos foi muito utilizado e continua sendo uma opção importante. Nos últimos anos, a revisão em tempo único vem ganhando espaço e apresentando resultados encorajadores na literatura científica em pacientes adequadamente selecionados.
Não existe uma única operação ideal para todos. A melhor estratégia é aquela indicada para as características específicas de cada paciente e da infecção.
Tempo único × Dois tempos: entenda a diferença
REVISÃO EM TEMPO ÚNICO
Tudo em uma única cirurgia
1. Retirada da prótese infectada
↓
2. Limpeza cirúrgica extensa
↓
3. Implante da nova prótese
↓
4. Recuperação
Retirada, tratamento da infecção e reconstrução do quadril na mesma operação.
REVISÃO EM DOIS TEMPOS
Duas grandes cirurgias
1. Retirada da prótese infectada
↓
2. Limpeza cirúrgica extensa
↓
3. Espaçador temporário (com antibiótico)
↓
4. Período de tratamento (semanas a meses)
↓
5. Segunda cirurgia: implante da prótese definitiva
Retirada da prótese, período de tratamento e, depois, nova cirurgia para implante definitivo.
O que a ciência mostra?
Um importante estudo clínico randomizado (INFORM), publicado no British Medical Journal (BMJ), comparou a revisão em tempo único e em dois tempos em 140 pacientes com infecção de prótese do quadril. Aos 18 meses, não houve diferença significativa na dor, rigidez e função. O grupo de tempo único apresentou recuperação funcional mais rápida aos 3 meses e menos eventos intraoperatórios.
Revisões sistemáticas e meta-análises recentes também demonstram taxas de controle da infecção semelhantes entre as estratégias em pacientes selecionados.
Principais vantagens da revisão em tempo único (quando indicada)
✓ Uma única grande cirurgia
✓ Evita o período entre duas operações
✓ Recuperação funcional mais precoce (em alguns estudos)
✓ Menor exposição acumulada a procedimentos cirúrgicos
A vantagem de realizar uma única cirurgia nunca deve se sobrepor à segurança e ao controle adequado da infecção.
Todo paciente pode fazer em tempo único?
Não. A indicação depende de uma avaliação individualizada.
Entre os fatores considerados:
- Tipo e duração da infecção
- Microrganismo e sensibilidade aos antibióticos
- Condições clínicas do paciente
- Qualidade da pele, tecidos e osso
- Presença de fístula ou grande comprometimento das partes moles
- Possibilidade de realizar uma limpeza cirúrgica adequada
- Complexidade da reconstrução necessária
TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO • BASEADO EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS • FOCO NA SUA QUALIDADE DE VIDA
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Diagnóstico, indicação cirúrgica e tratamento devem ser definidos individualmente após avaliação especializada.




